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PF lança nova fase de Lava Jato e leva tesoureiro do PT para depor

AFP
Polícia Federal já está na nona fase da operação que investiga esquema de corrupção na Petrobras
A Polícia Federal (PF) realiza nesta quinta-feira mais uma grande fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção dentro da Petrobras.
O homem que cuida das contas do PT, o tesoureiro João Vaccari Neto, foi conduzido à sede da PF em São Paulo para prestar depoimento.
Segundo depoimentos colhidos na Lava Jato, como o do doleiro Alberto Youssef, que fez uma acordo de delação premiada para colaborar nas investigações, Neto seria o operador do esquema de corrupção na Petrobras .

É mais um dia de notícias negativas para o governo - ontem foi confirmada a demissão da presidente da Petrobras, Graça Foster.
A Polícia Federal cumpre nesta manhã 62 mandados judiciais, sendo um de prisão preventiva no Rio de Janeiro e três de prisão temporária em Santa Catarina.
Há ainda 18 mandatos de conduções coercitivas (que obriga a pessoa a comparecer para depor) e 40 de busca e apreensão - Vaccari Neto foi alvo desses dois últimos.
A ação está sendo realizada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina.
Essa é a nona fase da operação, segundo a PF. A Lava Jato teve início há quase um ano, em 17 de março de 2014.
Em etapas anteriores foram presos Alberto Youssef, os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, além de altos executivos de grandes empreiteiras do país.
O escândalo também já provocou a cassação do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), após a revelação de que o petista teria atuado para favorecer negócios de Youssef no Ministério da Saúde.
Nesta semana e na próxima estão sendo colhidos depoimentos pela Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, de executivos e funcionários das empresas suspeitas de envolvimento no escândalo.
Após esses depoimentos, a expectativa é de que ainda neste mês o Ministério Público Federal apresente denúncia contra políticos, que pode trazer o nome de mais de 30 parlamentares, incluindo os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Agenda negativa

O início do segundo mandato de Dilma Rousseff tem sido extremamente difícil para o governo. A soma de economia fraca, apoio instável no Congresso e contínuos desdobramentos da Operação Lava Jato têm provocado uma sucessão de notícias negativas.
Apenas nesta semana, o governo foi derrotado na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, com a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que promete independência em relação ao Planalto. E enfrentou o drama da saída de Graça Foster da presidência da Petrobras, que deve ter um novo comando anunciado na sexta-feira.
"O governo começa em meio a uma tempestade perfeita. Há uma situação frágil de governabilidade", observa o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV.
O historiador Daniel Aarão Reis, que já presidiu o PT do Rio de Janeiro, nota que "a presidente começa seu (segundo) governo precocemente enfraquecida".
Ele questiona a estratégia de tentar apaziguar as relações com as alas mais conservadoras do governo e da oposição e é uma voz dissonante ante a repercussão majoritariamente favorável à demissão de Graça Foster.
"A cada capitulação da presidente, o outro lado se radicaliza. O governo está agachado. Ele precisa de ousadia".

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