Observando a peculiaridade da insatisfação popular em cada rua, esquina e casas de Coari me chamou a atenção o quanto tão rápido isto aconteceu e quais poderiam ser o desdobramento disto. É claro, que aqueles que de alguma forma ou de outra usufruem das benesses do novo governo se assentam no comodismo e na satisfação de quem é beneficiado: e estes são minoria. A grande maioria vive e experimenta as maiores dificuldades da realidade do novo governo.
Envolto no nevoeiro de pensamentos, eis que surge lentamente a figura do escritor florentino, que se debruçou sobre a realidade política de seu tempo, escrevendo o maior tratado de todos os tempos sobre o que é política. Ele fala sobre um governo novo, um novo governante, característica onde se enquadra a atual gestão de Coari. Lembra Maquiavel que mesmo sendo novo o governo, não sendo de fato “ele de todo novo; se ele surge de um principado maior... as alternâncias resultam, acima de tudo, de uma natural dificuldade”. É fato, pensei que dificuldades existem em todos os governos, mesmo assim insisti em entender a dificuldade peculiar de um novo governo.
Foi quando entendi o que disse Maquiavel que “acreditando em melhorias, os homens facilmente substituem o governante”. Foi exatamente o que aconteceu em Coari. A expectativa motivada por ambições particulares motivou a mudança. A ilusão de um governo justo, livre e progressista motivou a ideologia dos mais incautos que acreditaram de fato em um governo melhor. Lembrou-me o escritor: “Mais tarde, por experiência, compreenderão que a sua situação deteriorou-se”. De fato isto aconteceu em Coari. A deterioração foi de prédios públicos às políticas, de programas aos salários, das ações à gestão pública... Em um ano, pela observação, percebe-se que nada avançou em Coari. Pouco tempo para quem usufrui, muito para quem sofre. A insatisfação veio daí, da “ilusória crença que os fez pegar em armas” para mudar um governo, por um que não correspondeu aos seus anseios.
Qual o desdobramento disto? É o que se vê
Primeiro, segundo o escritor florentino, o novo governante terá “como inimigo (adversário) todos os que lesastes ao ocupares o principado”. E no caso de Coari não foram poucos os demitidos imediatamente, os concursados que tiveram os seus direitos subtraídos, os que de forma direta ou indireta sofreram outro tipo de retaliação.
Segundo, “tampouco poderás consolidar a amizade daqueles que abriram-te o caminho, pela impossibilidade de recompensá-los do modo que esperavam sê-lo e pela gratidão que impedirá que adote contra eles remédio mais fortes” – disse Maquiavel. E foi esta a “sinuca de bico” que causou a queda da popularidade do governo de Arnaldo neste 01 ano. Assim, os aspectos do novo governo, ficam marcados pela experiência de uma insatisfação difícil de ser contornada.
Assim, mesmo que Arnaldo e seu grupo de assessores tentem negar, a realidade é esta e para mudar será preciso muita maestria. Há quem diga ser impossível isto acontecer, outros não são tão pessimistas assim. Passando a largo deste debate, o fato da rejeição é tão claro, que brilha como sol ao meio dia. Para quem está no governo, há uma clara tentativa de colocar nuvens entre a realidade e os que eles imaginam ser real. Mesmo assim, havendo nuvens no céu do meio dia, o sol permanece lá. Havendo todo o tipo raciocínio e especulações para negar a rejeição ela é tão real como este sol.
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DANIEL MACIEL
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