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Opinião: 5G, veículos autônomos e cidades inteligentes

*Por Flávia Spadafora

 

Não é de agora que se escuta falar -- e também discutir -- em nossas rodas do segmento automotivo os benefícios que a chegada da tecnologia 5G podem trazer para a sociedade, para a economia e, principalmente, para o nosso setor.

 

De fato, quando olhamos os mercados mais maduros, como Europa, Ásia e Estados Unidos, que já usufruem do 5G há mais tempo, observamos que esse padrão traz consigo a capacidade de potencializar tecnologias já existentes e fruto da convergência dos mercados de TECH e Automotivo. O 5G, sozinho, não traz resultados, mas cria condições para que as coisas aconteçam com maior rapidez e precisão. Afinal, esta nova geração garante, além de outras vantagens, maior velocidade de conexão e melhor velocidade de resposta, conhecida como latência.

 

Muitas são as possibilidades para dentro e para fora das portas das grandes fábricas de veículos, da maneira como as conhecemos hoje, mudando significativamente os modelos de negócios e as formas como as pessoas interagem, fazem negócios, se divertem, usufruem de seu tempo livre com amigos e com a família.

 

Hoje, quero explorar com vocês uma dessas dimensões que este mundo conectado e acelerado pelo 5G pode nos oferecer: o carro autônomo e sua crescente popularização no mercado brasileiro. Este, sem dúvidas, é um dos assuntos que mais aguçam a curiosidade do consumidor final.

 

Para entrar neste capítulo, no entanto, é preciso levar em consideração que o Brasil é composto por realidades muito distintas no que diz respeito à maturidade e aplicabilidade das tecnologias. Por essa razão, trago ao debate alguns segmentos para que possamos ressaltar estas diferenças.

 

É cada vez mais frequente a utilização de veículos e equipamentos autônomos no agronegócio, o que já é apontado como uma das principais tendência para a agricultura moderna. Tratores, colhedoras, pulverizadoras autônomas, por exemplo, são equipamentos que trazem um ganho de produtividade enorme, na medida que um operador pode controlar mais de uma máquina em uma área muito extensa de plantio, sendo bastante preciso nas ações e decisões a serem tomadas. É a agricultura de precisão.

 

No segmento da mineração não é muito diferente. Hoje, já temos brocas e veículos operando de forma autônoma, com uma camada importante de inteligência artificial auxiliando na previsão de falhas e tomando decisões. Drones e robôs conectados, todos interagindo em tempo real com os veículos autônomos.

 

Estes dois exemplos já acontecem com o 4G e, por isso, o salto para o 5G é relativamente fácil. O grande desafio agora é o apelo econômico, para atender às demandas de algumas regiões onde estes segmentos tem maior concentração, e garantir o investimento para que a infraestrutura do 5G de fato aconteça. E assim, chegamos em um ponto chave para qualquer entrada de nova tecnologia e, fator crítico na velocidade de adesão, a infraestrutura.

 

De acordo com os planos fechados com as operadoras, no leilão realizado no final do ano passado, os grandes centros urbanos e as metrópoles serão os primeiros locais do país a serem contemplados com a implementação da rede 5G. Se, de um lado, isso acelera o processo e aumenta a expectativa com a popularização da direção autônoma, por outro, cria a necessidade premente de políticas públicas que contemplem investimentos significativos no que chamamos de “cidades inteligentes”: semáforos, placas de trânsito, sinalização adequada e tudo mais que compõe o viário urbano.

 

Assim, com tecnologia na ponta e conectando as diversas componentes do viário urbano, será possível modificar a mobilidade urbana e garantir maior controle de velocidade, a aplicação de semáforos inteligentes, maior economia de energia e, consequentemente, a redução de congestionamentos.

 

Extrapolando a direção autônoma para fora dos grandes centros urbanos e considerando rodarmos pelo Brasil, pelas nossas estradas, outro componente importante que devemos levar em conta é a característica do último leilão, que tem o compromisso das operadoras em garantirem a cobertura em primeiro lugar com a rede 4G e só depois fazerem o upgrade para o 5G. Voltamos à infraestrutura.

 

Vale lembrar que já existem veículos autônomos com nível SAE3 de autonomicidade, aqueles sem necessidade do uso de redes externas. Entretanto, o 5G em cidades inteligentes trará uma integração maior e mais segurança para a condução destes veículos neste modo. Apesar de pronta, e presente em diversos países, ainda há um longo percurso para esta realidade acontecer no Brasil. O que precisamos, agora, é evoluir no conjunto, para que tais tecnologias possam ser aplicadas por aqui. A boa notícia é que isso está cada vez mais perto de nós.

 

*Flávia Spadafora é sócia-líder do segmento automotivo da KPMG no Brasil. Texto originalmente publicado no portal Automotive Business.

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