"É por isso que vou atrás de justiça, pois tenho certeza que houve erro no parto de minha esposa, não sei de quem foi a culpa, mas vou descobrir e irão pagar por isso, isso é uma promessa!"
Alguém tem palavras para definir a expectativa e a esperança envolvida na gestação de uma criança? São dias mágicos de muito envolvimento psicológico, emocional e afetivo. Os dias são contados à dedo, principalmente quando se trata do primeiro filho. Mas, infelizmente nem tudo saiu como sonhado para os pais da pequenina Heloanny. Eles a pegaram em seu colo sim, mas já sem vida. Segundo o pai houve negligência no acompanhamento do parto realizado no Hospital Regional de Coari e ainda tentaram por a culpa na mãe da criança.
Hueilon Vieira escreveu uma nota descrevendo tudo o que aconteceu. Não citou nomes, mas afirmou que vai lutar para que os responsáveis sejam punidos juridicamente. Na timeline de sua rede social vários outros depoimentos de pessoas que passaram por circunstâncias parecidas. Os casos chamam atenção!
Tem que ser apurado
A Secretaria de Saúde do município tem que se posicionar sobre isso, abrir uma sindicância interna sobre o assunto para não se tornar conivente com a possível omissão. É uma vida humana e não uma mera estatística. A polícia deve investigar. Os conselheiros tutelares também têm responsabilidade moral e legal de acompanhar o caso. Os pais além da dor da perca da criança não podem sofrer a dor do abandono.
Acompanhe abaixo a nota oficial publicada pelo pai da criança em sua rede social e também encaminhado para a imprensa.
NOTA OFICIALVenho a público relatar os fatos que se sucederam no dia 13/04/2017, que resultaram no óbito de minha primeira filha, recém-nascida Heloanny Cordeiro Soares.
Por volta de 07:00 h do referido dia, minha esposa grávida de 39 semanas e 03 dias,deu entrada no Hospital Regional de Coari com fortes dores abdominais, após ser examinada pelo enfermeiro plantonista, o mesmo disse que ela estava em trabalho e que já deveria ficar. Por volta de 9:00 h, foi avaliada pelo médico, onde o mesmo relatou que o parto dela seria Cesário e que ele faria a cirurgia pois a criança era muito grande. Pois bem, aproximadamente as 13:00 h a bolsa dela estourou e as dores aumentaram e o enfermeiro que estava a acompanhando disse que ela estava evoluindo (termo técnico usado), por volta das 16:00 h minha esposa falou para o enfermeiro que tinha alguma coisa errada a bebê tinha parado de mexer e ela estava sentindo muito frio, o enfermeiro disse que estava tudo normal, lá pelas 17:30 levaram minha esposa para a sala de parto e as 19:15 minha filha veio ao mundo sem vida.
Agora vamos às versões:
• Em conversa com o médico que realizou o parto, ele me disse:” Quando cheguei no centro cirúrgico sua filha já estava morta, foi parto distórcico e o chamado foi para atender outra paciente e não a sua senhora”.
• Conversando com o enfermeiro ele relatou que ligou várias vezes para o médico chegou até a me mostrar a chamada que realizou em seu celular por volta das 17:30 h e me disse o seguinte: “fiz todo o possível pela sua esposa e pela sua filha, mas a sua esposa não ajudava, fazia força errado”. Quando ele me falou isso rapidamente o retruquei lhe dizendo: enfermeiro esse é o primeiro parto da minha esposa, se ela não sabe fazer força ou não está contribuindo você deveria logo direcionar para parto Cesário, o profissional aqui é o senhor.
Agora saibam o que eu penso o que eu falei a todos.
Essa criança era nossa primeira filha, super aguardada, planejada, desejada, fizemos todo o acompanhamento com médicos, enfermeiros, fizermos ultrassom normal e morfológico diversas vezes, e NUNCA apresentou nada de anormal era uma criança saudável graças a Deus.
Quanto aos profissionais envolvidos, sei que todos fizeram tudo que estavam ao seu alcance, porém foi de forma tardia, minha filha morreu no ventre da mãe sem oxigenação, passou do tempo de nascer. Minha esposa sofreu violência psicológica e obstetra por alguns de vocês, isso não se faz em um momento tão delicado. Cortaram ela, depois costuraram e depois cortaram de novo, praticamente espremeram minha filha da barriga mãe, forçaram o parto normal, ela nasceu morta, passou reanimação mas já era tarde demais.
Todo profissional está passivo de erro, também sou profissional na minha área, procuro fazer tudo corretamente, porém se seu cometer algum erro sei que terei que pagar por esse erro. É por isso que vou atrás de justiça, pois tenho certeza que houve erro no parto de minha esposa, não sei de quem foi a culpa, mas vou descobrir e irão pagar por isso, isso é uma promessa! Por enquanto, quero que apenas sintam a dor da culpa desta morte.
Essa atitude não trará minha filha de volta, nem todos os momentos que eu deveria ter ao seu lado, mas trará um conforto para meu coração e toda a minha família que isso não ficará impune e principalmente para evitar que casos como o meu aconteça com outras famílias, esse é meu intuito maior, divulgar minha historia para evitar casos futuros.
Como cristão, acredito que tudo que acontece é com a vontade de Deus e existe um proposito para tudo, contudo, esses erros humanos devem ser punidos e eu lutarei por isso. Eu tenho certeza que você que está lendo esse texto agora conhece alguém que passou por isso ou até mesmo você deve ter passado por isso, por essa negligência médica e pela dor de perder um filho.
Então peço sua ajuda para divulgar tudo que estou falando agora, uma andorinha só não faz verão, mas com seu apoio vamos reivindicar uma melhor atenção com a saúde do nosso município a ainda mais atenção desses profissionais que atuam na área.
Não estou aqui para acusar ou citar nomes, tudo ainda será apurado, quero apenas dividir a minha dor e preocupação com tudo que aconteceu e pedir orações de todos por mim, minha esposa e toda a minha família. Agradecer muitíssimo a todos meus amigos pela presença no velório e sepultamento da minha bebê, por todos que me mandaram mensagens e toda energia positiva que nos passaram. São com lágrimas nos olhos que digito tudo isso e agora sei que tenho um anjinho no céu que cuida do Papai e da Mamãe.
Essas são nossas palavras,
Coari, 15 de abril de 2017.
Hueilon Vieira Soares e Deisy Anne dos Santos Cordeiro.