Ultimamente tenho parado para analisar se
realmente é imperioso construir muitas outras obras em Coari, ou se seria mais
viável para a população manter funcionando bem, o que já existe. Fazer uma
gestão mudando o foco de construções de prédios e instalações públicas para a
recuperação das ruas e também para a urbanização dos bairros carentes para
então poder realizar a aplicação de outras políticas públicas muito mais
necessárias. Tenho acompanhado nas redes sociais críticas neste sentido ao
governo municipal (que não estaria construindo prédios ou obras), governo que,
aliás, está há pouco mais de 100 dias à frente da prefeitura e tenho parado
para me perguntar se realmente é necessário partir para a iniciativa de
construir. Coari tem uma estrutura de ginásios, unidades de saúde, escolas
municipais, praças e logradouros públicos que para serem mantidos a prefeitura
gasta enormes somas de dinheiro, será que é tão urgente assim construir novas
instalações?
As
despesas para manter a estrutura atual funcionando.
Quando falo manutenção não estou afirmando apenas
com a parte estrutural dos prédios públicos. Refiro-me a toda demanda
necessária para o funcionamento destas estruturas. Por exemplo: as unidades básicas
de saúde dependem não apenas do prédio para funcionar, mas de uma equipe de
atendimento que vai do médico, ao enfermeiro, havendo também a necessidade de
agentes de saúde, serviços gerais, medicamentos, materiais médicos e
odontológicos e outras necessidades para o funcionamento do dia a dia, agora
multiplique isso por 15, e veja o custo mensal que é manter a estrutura de
unidades básicas que já existe.
Da mesma forma a estrutura com escolas rurais,
que é necessário uma demanda de 85 embarcações de médio porte e 238 canoas para
atender a demanda de transporte escolar. Agora multiplique isso pela quantidade
de combustível necessário para o funcionamento, catraieiros, professores,
serviços gerais, merendeiras, etc. Esses e outros detalhes que são necessários
para que a rede escolar funcione e isso somente na zona rural.
Citei estes dois exemplos, mas poderia ter citado
outros, como: ginásios, hospital, policlínica, secretarias e escolas municipais
existentes só na zona urbana, no entanto estes dois exemplos servem para
analisar o tamanho da demanda para o funcionamento da estrutura que há em um
município em que basicamente tudo depende da prefeitura.
Daí vem o questionamento, será que é tão
imperioso construir outros prédios públicos e instalações para os quais
futuramente será necessário manter o funcionamento com despesas diversas
inclusive com pessoal, ou é melhor manter o bom funcionamento do que já existe
e investir em políticas sociais, culturais, esportivas, educacionais dentre
outras.
Acho louvável a iniciativa do prefeito municipal
em recuperar áreas da cidade que estavam abandonadas, sem cuidado e sem zelo.
Algo tinha que ser feito com urgência e foi feito. Inclusive acho que este
trabalho deve continuar sendo feito em outras áreas da cidade que carecem.
Seria impossível realizar a recuperação ao mesmo tempo em todos os bairros da
cidade. Para isso existe o planejamento.
Manter para funcionar
Manter para funcionar
Agora é hora de alcançar outros bairros que não
foram recuperados, cuidando da infraestrutura dos referidos bairros, da
iluminação pública, segurança e condições
de higiene. Em um momento que Coari
precisa ser recuperado dos desgastes gerados pela instabilidade política, é
imperioso sim recuperar a cidade da situação em que estava e não é prioridade
construir agora novos prédios.
Essa recuperação deve ser conjugada como salários
em dias, remédio nas UBS e hospital, políticas sociais em andamento, atividades
esportivas e culturais sendo executadas, programas educacionais em andamento e
acima de tudo a segurança pública funcionando a contento. Se for possível
conjugar a maioria dessas práticas com a recuperação da cidade, certamente o
prefeito e o poder público vai estar agradando a população em geral, que vai
perceber que mais importante que construir para depois manter, é necessário
manter o que existe, dando qualidade de vida aos cidadãos.
