Daniel Maciel


 
Ultimamente tenho parado para analisar se realmente é imperioso construir muitas outras obras em Coari, ou se seria mais viável para a população manter funcionando bem, o que já existe. Fazer uma gestão mudando o foco de construções de prédios e instalações públicas para a recuperação das ruas e também para a urbanização dos bairros carentes para então poder realizar a aplicação de outras políticas públicas muito mais necessárias. Tenho acompanhado nas redes sociais críticas neste sentido ao governo municipal (que não estaria construindo prédios ou obras), governo que, aliás, está há pouco mais de 100 dias à frente da prefeitura e tenho parado para me perguntar se realmente é necessário partir para a iniciativa de construir. Coari tem uma estrutura de ginásios, unidades de saúde, escolas municipais, praças e logradouros públicos que para serem mantidos a prefeitura gasta enormes somas de dinheiro, será que é tão urgente assim construir novas instalações?

As despesas para manter a estrutura atual funcionando.

Quando falo manutenção não estou afirmando apenas com a parte estrutural dos prédios públicos. Refiro-me a toda demanda necessária para o funcionamento destas estruturas. Por exemplo: as unidades básicas de saúde dependem não apenas do prédio para funcionar, mas de uma equipe de atendimento que vai do médico, ao enfermeiro, havendo também a necessidade de agentes de saúde, serviços gerais, medicamentos, materiais médicos e odontológicos e outras necessidades para o funcionamento do dia a dia, agora multiplique isso por 15, e veja o custo mensal que é manter a estrutura de unidades básicas que já existe. 

Da mesma forma a estrutura com escolas rurais, que é necessário uma demanda de 85 embarcações de médio porte e 238 canoas para atender a demanda de transporte escolar. Agora multiplique isso pela quantidade de combustível necessário para o funcionamento, catraieiros, professores, serviços gerais, merendeiras, etc. Esses e outros detalhes que são necessários para que a rede escolar funcione e isso somente na zona rural. 

Citei estes dois exemplos, mas poderia ter citado outros, como: ginásios, hospital, policlínica, secretarias e escolas municipais existentes só na zona urbana, no entanto estes dois exemplos servem para analisar o tamanho da demanda para o funcionamento da estrutura que há em um município em que basicamente tudo depende da prefeitura. 

Daí vem o questionamento, será que é tão imperioso construir outros prédios públicos e instalações para os quais futuramente será necessário manter o funcionamento com despesas diversas inclusive com pessoal, ou é melhor manter o bom funcionamento do que já existe e investir em políticas sociais, culturais, esportivas, educacionais dentre outras.

Acho louvável a iniciativa do prefeito municipal em recuperar áreas da cidade que estavam abandonadas, sem cuidado e sem zelo. Algo tinha que ser feito com urgência e foi feito. Inclusive acho que este trabalho deve continuar sendo feito em outras áreas da cidade que carecem. Seria impossível realizar a recuperação ao mesmo tempo em todos os bairros da cidade. Para isso existe o planejamento.

Manter para funcionar 

Agora é hora de alcançar outros bairros que não foram recuperados, cuidando da infraestrutura dos referidos bairros, da iluminação pública, segurança e condições
de higiene. Em um momento que Coari precisa ser recuperado dos desgastes gerados pela instabilidade política, é imperioso sim recuperar a cidade da situação em que estava e não é prioridade construir agora novos prédios.

Essa recuperação deve ser conjugada como salários em dias, remédio nas UBS e hospital, políticas sociais em andamento, atividades esportivas e culturais sendo executadas, programas educacionais em andamento e acima de tudo a segurança pública funcionando a contento. Se for possível conjugar a maioria dessas práticas com a recuperação da cidade, certamente o prefeito e o poder público vai estar agradando a população em geral, que vai perceber que mais importante que construir para depois manter, é necessário manter o que existe, dando qualidade de vida aos cidadãos.