Perguntado pelo Jornal Diário do Amazonas sobre qual seria o maior desafio para a presidência do TRE-AM, o desembargador Flavio Pascarelli não hesitou em dizer que, “é manter a tranqüilidade nas eleições em alguns municípios do Amazonas, como Coari, Manacapuru, Maués e Novo Aripuanã. São municípios com histórico de violência muito grande. É muito complicado trabalhar no interior, porque não há partidos políticos, mas lados”. Mais que uma resposta retórica, a afirmação do novo presidente do tribunal eleitoral revela o que é senso comum na alta cúpula política sobre o município de Coari, entre outras.
Coari não pode se enquadrar no histórico de violência no período eleitoral. Não há tantos registros assim de embates durante o período eleitoral. Na verdade, a eleição mais tumultuada foi a eleição suplementar em 2009, quando estimulados a tomar o poder a qualquer custo, grupos de pessoas passaram a agir com violência, inclusive com invasão de domicílio, vigilância em frente as casas de pessoas ligadas ao poder público, perseguição a carros e até mesmo agressão física.
O que não pode ser negado é que apesar de os partidos políticos existirem, a eleição não é feita baseada nas ideologias políticas, mas nos lados, conforme definiu o desembargador. Coari sempre viveu a disputa política polarizada desde a década de 90, disputa que ficou mais acirrada nos últimos anos, sempre sendo definida por dois lados, envolvendo a discussão em torno de pessoas, geralmente os líderes destes grupos... O debate dos problemas da cidade sempre ficaram em plano secundário.
Este ano, a disputa promete ser menos polarizada. Além dos grupos que estão na intensa busca do poder durante anos, surge um novo grupo, liderado pelo empresário Raimundo Magalhães. A expectativa é que os lados opostos estejam em menor evidência, e que os cidadãos de Coari e seus desafios sejam o centro do debate durante o período eleitoral.