Os familiares da senhora Selça Gomes Pereira, 48 anos, lamentam e choram enquanto veêm o corpo de sua mãe sobre uma mesa, sendo velada às vesperas do aniversário da cidade de Coari. Era para ser um dia de celebração, mas está sendo um dia de luto. Seria até um fato aceitável, diante da inevitável realidade da morte se não fossem alguns detalhes que a família me descreveu e que passo a relatar à baixo.
Hoje pela manhã, às 7:30hS, quando saiu de sua casa a senhora Selça desmaiou em frente a Unidade Básica de Saúde do Bairro da União, onde mora. Detalhe: A Unidade Básica de Saúde estava fechada. FECHADA .... fechada.
Mesmo assim os populares que tentavam ajudar a senhora que havia desmaiado tentaram novamente auxílio do sistema de saúde. Ligaram para o SOS pedindo a ambulância. A resposta obtida foi que não seria possível enviar a ambulância por não estarem disponível no momento. Desesperados, as pessoas colocaram a senhora em um moto-taxis e dispararam feito louco em direção ao Hospital Regional de Coari. Ao chegarem, a mulher foi posta em uma cadeira de roda na recepção para que a ficha fosse preenchida com o nome dela. Ao levarem para o atendimento a mulher havia morrido.
Nem posto de saúde com desfibrilador, nem ambuläncia com desfibrilador e quando chegou ao hospital parecia já ser tarde para tentar reanimar a senhora. A morte desta mulher revela a precariedade do Sistema de Saúde em Coari, uma estrutura que não funciona. Os profissionais são competentes, mas a estrutura não funciona.
A morte é inevitável, mas neste caso, a Unidade de Saúde fechada e o fato da ambulância não poder se enviada e até mesmo a burocracia do atendimento em face a um quadro que deveria ter sido diagnosticado com a rapidez com que uma vida humana merece, foram fatores que contribuiram para que mais uma vida de uma coariense se perdesse. Tudo porque falta gerência e funcionamento do Sistema de Saúde em Coari.