Era mais uma manhã daquelas, agitadas... O burburinho, boatos que corriam mais rápido que relâmpago no meio do temporal. Zé Mané não esquecera a última conversa que tivera com Dr. Direito. Agora, Chico Povão, mais um personagem desta incrível história chega, agoniado, com os olhos arregalados, surpreso pelos últimos acontecimentos disse:

— Ouvi falar que o clima entre os “manda-chuva” da cidade anda meio tenso.

— Pois é Dr. Direito, “nóis quer” saber sobre isso, o que “se sucedeu mermo”? – disse Zé Mané.
Chico Povão reafirmou:

— Bem, eu ouvi falar que o prefeito não tá querendo repassar o dinheiro que é de direito da Câmara Municipal e o presidente, aquele baixinho, anda meio fulo da vida com tal da esperteza do prefeito.

— Pode isso? Eita! Que “num entendo” mais nada... Nesses últimos dias era só Love, era “inlogio prá lá, inlogio pra cá”, tudo gente boa... Quem pisou na bola “mermo seu dôtor”? – Disse Zé Mané.

Mais admirando do que tudo Dr. Direito falou:

— Deixa eu entrar na conversa. Que história é essa mesmo que eu não estava sabendo?

—Oh! “Dôtor... Só tô o sinhor”... Todo mundo só “tá comentando” isso na cidade!

— O quê? – perguntou o Dr. Direito com a curiosidade aguçada.

— Que agora é sério! Sério Mesmo. Os homens brigaram. Parece que não tem mais jeito, a revolta é porque o prefeito continua sem fazer o repasse da Câmara. – disse Chico Povão.

— Mas, isto é um crime contra a constituição e a lei orgânica. – exclamou Dr. Direito – Não repassar o duodécimo é crime.

— Bem, se for crime então a coisa vai pegar, então esse é mais um de muitos. – disse Chico Povão.
Doutor Direito reafirmou:

— Bem, se isso for verdade e for comprovada a irregularidade a Câmara pode pedir o bloqueio das contas da Prefeitura para garantir o repasse constitucional além de poder dar abertura a um pedido na Comissão Processante para cassar o mandato do prefeito.

— Sei não – disse Chico Povão – acho que isso não vai acontecer, não acredito...

— Se vai acontecer ou não eu não sei – disse Zé Mané – Mas pelo jeito “os vereador” tão brabo mesmo, eu ouvi falar isso.

Mais uma vez Dr. Direito se intrometeu:

— O que eu sei dizer é que o Legislativo é um poder independente e que se eles não impuserem o moral nem o povo vai respeitá-los.

— “Meus amigo” – disse Zé Mané – “No que vai dar eu num sei” eu só sei que lá no interior o tempo é o “sinhô da razão”. Até as frutas que tem tempo pra ser apanhada, quando passa do tempo aprodece. “Fica pôdi mesmo”, então “eu com minhas burridades mesmo” é quem digo que o tempo vai dizer se isso é de verdade.

— Eu mesmo só acredito vendo – concluiu Chico Povão.