Funcionários da Prefeitura de Coari (a 363 quilômetros de Manaus) pediram à Polícia Federal no Amazonas e ao Ministério Público Estadual (MPE/AM) investigação sobre os recursos da União e do Estado repassados à administração municipal.

Os servidores suspeitam de desvio de recursos. Mesmo com os recursos milionários repassados à Prefeitura de Coari, a administração da cidade vem atrasando o salário dos funcionários.

Em documento entregue à Procuradoria-Geral de Justiça do Amazonas, na última sexta-feira (7), os servidores afirmam que "há mais de 60 (sessenta) dias todos os servidores públicos da cidade, inclusive os aposentados e pensionistas, não recebem seus vencimentos e aposentadorias, sendo que durante todo o ano de 2010 essa situação se repetiu. Ademais, também não recebemos sequer os décimos terceiros salários referentes aos anos de 2009 e 2010".

Ao superintendente da Polícia Federal, delegado Sérgio Fontes, o documento entregue diz que "se faz necessário (que) a Polícia Federal e os administradores da Justiça tomem as devidas providências previstas em lei".

Os funcionários públicos de Coari afirmam sofrerem ameaças, inclusive, de serem desligados do serviço público, caso continuem denunciando o problema.

Os servidores ainda fizeram um abaixo-assinado com cerca de 11 mil assinaturas de moradores, e entregaram o documento na Câmara Municipal de Coari e ao substituto do promotor David Carramanho, o promotor José Felipe Fish.

Em entrevista ao portal acritica.com, Paulo Sérgio Pereira Santana, 33, guarda municipal, comenta que com o volume de recursos que a Prefeitura de Coari recebe dos royalties da Petrobras, já teria condições de se destacar dos demais municípios, e nunca atrasar salários.

"Tem um grupo que se apoderou da Prefeitura de Coari só para defender seus interesses em detrimento da miséria. Hoje, os funcionários públicos de Coari passam por uma situação de penúria. Falta recurso na educação, na saúde. Não tem merenda escolar...)", contou o servidor.

O brigadista Rosisérgio Corrêa dos Santos informou que a situação na administração pública de Coari causa não só impacto nos salários, mas um problema social que gera no município.

"A cidade está um caos. A justiça tem que tomar uma providência. Eles conseguiram criar um medo no funcionalismo público, porque ameaçam se formos procurar os nossos direitos", registrou.

"Não estamos falando de um município pobre. São milhões em recursos repassados para o município. Alguém está ficando com esse dinheiro", disse. "Viemos a Manaus com sacrifício para denunciar o caso ao Ministério Público e à Polícia Federal. Fizemos uma 'cotinha'", sustentou Rosisérgio Corrêa.

Histórico
Antes de recorrerem à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral de Justiça do MPE, os servidores já haviam denunciado a questão ao promotor de Justiça da Comarca de Coari, David Evandro Costa Carramanho, que foi procurado pelos servidores para tratar do assunto, e que ouviu as reivindicações e chegou a tomar termos de declarações.

A juíza de direito da comarca de Coari, Ana Paula Braga, também foi procurada pelos servidores públicos da cidade, e informou aos trabalhadores que não poderia começar o processo de apuração, alegando que a ação deve ser provocada pelo Ministério Público.

No documento entregue à magistrada, os funcionários ressaltam "que, no município de Coari, os funcionários públicos municipais e a comunidade passam por uma situação difícil, com descaso de um grupo de interesse particular que se apoderou da mais rica prefeitura do interior do Amazonas".

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DANIEL MACIEL
BLOG COARI EM DESTAQUE