O caso recente da agressão a uma jovem menor de idade, agressão que teve com agente principal o prefeito de Coari Arnaldo Mitouso e como agentes secundários os seguranças do mesmo, levantaram a questão da autoridade e seus limites. No rádio, nas ruas e até mesmos nas residências os partidários do prefeito defendem que ele fez o que fez, atingindo a integridade física da jovem assim como privando a liberdade da mesma por algumas horas, sim, que ele fez o que fez para preservar a sua autoridade que foi desrespeitada.

O fato foi além de uma imposição de respeito. O ato do prefeito foi tão insensato que ele mesmo agrediu uma jovem, mulher, menor de idade, em plena via pública e na frente de várias testemunhas. Sem falar que autorizou o seu segurança retirar a moça do local, que foi levada contra a sua vontade e a força para a prefeitura, depois colocada em um carro para ser levada ao quartel como se fosse uma criminosa.
Algumas ponderações merecem ser feitas relacionadas ao assunto.

Primeiro: a autoridade tem que ser respeitada, e isto é fato. Por outro lado, a integridade física do cidadão e sua liberdade também. Não vem ao caso, mediante uma situação de desrespeito sair agredindo a outro, pois isto abre um precedente para a violência. Cabe a autoridade municipal seja ela quem for, um comportamento ético, principalmente se estiver em público, sabendo que está exposto aos aplausos ou as vaias oriundas da própria repercussão de seu governo.

Segundo: a autoridade que é evocada sob a força da violência, não é autoridade é autoritarismo. Autoritarismo se impõe e respeito se conquista. Uma pessoa que é respeitável mantém a autoridade, uma pessoa que impõe o respeito adquire mais hostilidade. Parece ser este o caso, a imposição do respeito por instrumentalização da força não vai levar a população de Coari respeitar o atual prefeito se ele não conquistar o respeito pelo povo.

Uma máxima da convivência pessoal precisa ser lembrada: quem quer respeito precisa respeitar. O povo de Coari vem sendo desrespeitado constantemente em seus direitos pelo prefeito Arnaldo Mitouso ao não pagar o décimo terceiro, ao ter demitido milhares de pais de famílias, ao ter extinto programas sociais importantes e de distribuição de rendas com recursos municipais, ao promover uma administração pautada pela perseguição e vingança contra os seus desafetos e acima de tudo ao não pagar em dias o salário dos funcionários públicos municipais que a cada mês enfrentam a incerteza de não saber que dia ou quando vão poder usufruir do pagamento de seu trabalho.

O primeiro a desrespeitar o povo é o prefeito Arnaldo Mitouso que desta forma, mesmo que invoque sobre o mais alto monte desta cidade por respeito parece que não o terá. Em um fato como este, ao invés de ter humildade para reconhecer o desequilíbrio de sua atitude ao agredir a jovem em sua integridade física e moral, ainda torna-se mais antipático ao povo, quando tenta impor o respeito justificando-o através de um ato violento. O caminho seria o inverso, através de um pedido de desculpas em público à família e a jovem mas é demais esperar uma atitude desta de quem tenta justificar um ato violento como a supressão da liberdade e a invasão a integridade física.



DANIEL MACIEL
BLOG COARI EM DESTAQUE