O professor Bêda, um conhecido professor de história do município de Coari foi acusado pelo prefeito de Coari Arnaldo Mitouso de trocar notas escolares por favores sexuais. A acusação foi feita logo após o professor Bêda conceder uma entrevista onde fez críticas à administração de Mitouso. O prefeito não deixou a represália para algum assessor fazer, pelo contrário ele mesmo se encarregou da acusação com todas as sílabas em uma rádio comunitária enquanto dava entrevista. Ao referir-se ao professor ele afirmou categoricamente que Bêda negociava boas notas em troca de favores sexuais com suas alunas.
A acusação de Arnaldo Mitouso para com o professor Bêda além de sair da esfera administrativa, soa levianamente se não for comprovada. Um chefe do poder executivo não poder sair acusando um cidadão de seu município pelo fato de ter tido a coragem de criticar sua administração. Se Arnaldo não comprova a acusação contra o profissional em questão, poderá está atingindo não apenas o professor Bêda, mas toda uma categoria que precisa de respeito. Um chefe do executivo em qualquer esfera deve ter mais cautela, principalmente quando trata com um profissional da área da educação, área que precisa de atenção e valorização.
A prática de assédio moral já reprovável em gabinetes, quanto mais em um veículo de comunicação de massas. Tentar amordaçar um profissional acusando-o levianamente para que o mesmo não ouse criticar a administração é evidência total de despreparo para enfrentar críticas e situações desfavoráveis. O prefeito que soube acusar o professor não informou durante a entrevista quando o pagamento dos funcionários da prefeitura será efetuado. Arnaldo deve provar a acusação que fez contra o professor, sob a pena de cair ainda mais no descrédito com os cidadãos de seu município.
DANIEL MACIEL
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