O município é o segundo no Estado do Amazonas onde morrem mais pessoas por causa da doença. 




O caminhão do serviço funerário municipal passando com quatro caixões de uma só vez, rumo ao recente cemitério localizado na Estrada Coari-Itapéua chamou a atenção de todos, na semana passada. O número de pessoas que morreram em um único dia disparou e colocou o município como o segundo lugar no interior do Estado onde morrem mais pessoas por COVID-19. Entre os municípios do interior do Amazonas, com 64 óbitos Coari fica atrás apenas de Manacapuru que tem 109.

Tal fato não deixa de chamar a atenção e merece um estudo sério para apuração. Os números não são favoráveis à Coari, e neste caso não são só números: são vidas que se vão. 

Muitas perguntas necessitam ser respondidas, mas a mais importante de todas é: porque este fenômeno está acontecendo? Não é satisfatória a resposta genérica de que morrem pessoas de Covid-19 no mundo inteiro. Pelos números atualizados Coari é o quarto em contágio, mas a ocorrência de óbitos é bem maior. O alto número de óbitos em Coari vai na contramão do indicador positivo avaliado pela FVS /AM que apresentou redução de 48% de óbitos no Amazonas nas últimas duas semanas de maio, comparando o período 17 a 23 ao de 24 a 30 de maio.

Devem ser frutos de pesquisa e estudo de caso algumas indagações: As pessoas estão morrendo em casa ou no hospital? Há quanto dias apresentaram sintomas antes do agravamento do quadro clínico? Destes óbitos quais as comorbidades que mais influenciaram mais para que o óbito ocorresse? Mesmo não havendo medicação específica para a doença, quais os antibióticos, anti-inflamatórios e corticóides usados para combater os sintomas foram usados ou não? É eficaz o método de ventilação usado? Existe algum fator preponderante? Os procedimentos utilizados estão demonstrando eficácia? São muitas as perguntas que surgem para o estudo científico do fenômeno. 

Sem dúvida, tanto a Secretaria de Saúde quanto os especialistas em saúde pública ou da área de estudo de medicina devem correr contra o tempo para entender o fato tão complexo, porém vital. As respostas encontradas de cunho científico devem ser usadas no próposito de tentar evitar que estes picos se repitam. Todos os esforços têm sido empregados no município para tentar conscientizar e testar o maior número de pessoas possíveis, mas a luta contra este inimigo invisível tem custado muitas vidas.