18 de julho de 2017

O jornalismo brasileiro vive uma crise de credibilidade?

Divulgação/TV Globo

O "Jornal Nacional" ainda é referência no jornalismo brasileiro, segundo pesquisa do Kantar IBOPE Media

Um recente estudo da agência  Reuters mostrou um dado um tanto quanto surpreendente: o brasileiro é o segundo povo que mais confia na imprensa. Entretanto, essa estatística não muda o fato de que, em meio à crise política e a disseminação de notícias falsas nas redes sociais, o jornalismo vive uma crise de credibilidade no Brasil e no mundo. 


"O jornalismo vive uma crise sim, mas a gente tem que entender o que isso significa", disse ao iG o professorRafael Fonseca Santos , coordenador do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

Para ele, as notícias falsas são o grande combustível da crise de credibilidade. "Existe uma profusão grande de notícias falsas circulando, coisas mentirosas que aparecem por aí", disse. "As pessoas acreditam em notícias que circulam no WhatsApp e isso talvez seja uma falha nossa. Como mostrar para eles que somos confiáveis?", questionou o professor.

Legitimando a notícia

Ferramentas que buscam legitimar as notícias de fontes confiáveis estão sendo desenvolvidas pelo projeto Credibilidade, realizado através de uma parceria entre o Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e o Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia (PPGMiT), da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O Credibilidade ainda envolve a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e 13 veículos de comunicação. 

Um dos indicadores de credibilidade que o projeto está desenvolvendo é uma espécie de ficha de informações de cada reportagem. Essa lista terá dados como o número de fontes ouvidas pelo repórter, a linha editorial do veículo que a publicou e outras informações que atestam a veracidade daquele trabalho.

Angela Pimenta, coordenadora do projeto Credibilidade, compara a ficha a uma tabela nutricional de um alimento. "Do mesmo jeito que as pessoas querem saber os ingredientes da comida que elas compram, elas querem saber informações sobre a notícia que estão lendo", disse ao iG . "Uma democracia vive de fatos. As decisões públicas, leis, normas e eleições são produzidas por fatos", continuou. Para ela, essa responsabilidade é muito importante. "A importância é vital. A notícia não é só um produto, mas também é um produto", explicou.

Confiança

De acordo com uma pesquisa do Kantar IBOPE Media, os brasileiros ainda usam a imprensa e os veículos de comunicação como principal fonte de informação. O estudo apontou que 84% dos entrevistados consomem frequentemente notícias na TV, rádio, jornal, revista ou internet.

Entretanto, isso não impede a disseminação de notícias falsas. Para Rafael Fonseca Santos, as redes sociais são um terreno fértil para isso. "A rede social amplia o que a gente já tem no cotidiano. No WhatsApp, a informação ganha uma proporção maior do que no boca a boca e dá dimensões maiores, prejuízos maiores", explicou.

"Na web, você encontra de tudo, é o almoxarifado do mundo", definiu Angela Pimenta. "Quando você tem um conteúdo jornalístico espremido no meio de gifs de gatinhos e me dá informação, esse conteúdo se fragmenta, perde a capacidade de entendimento quase imediatamente", continuou.

Além disso, a jornalista vê outro fator associado a essa disseminação: a bolha. As pessoas que se cercam de gente que tem o pensamento igual ao delas são mais propensas a cair nesse tipo de armadilha. "Isso é o viés de confirmação, uma propensão que nós temos em acreditar naquilo que confirme o que a gente já acreditava antes", explicou a jornalista. "Numa sociedade tão fragmentada como a nossa, você tem uma descrença na notícia que vai contra o que você acredita e uma tendência a acreditar no que quer acreditar", disse.

Crise política e soluções

Na crise política, a crise jornalística se torna especialmente perigosa. "Essa polarização política afeta o jornalismo também. Agora, as pessoas enxergam essa coisa de jornal azul e jornal vermelho", disse Rafael.

Reprodução/Credibilidade.org

O Projeto Credibilidade, coordenado por Angela Pimenta, é o capítulo brasileiro do The Trust Project

Ele não defende que os veículos de comunicação têm que ser imparciais, mas defende a honestidade. "Todo jornalista tem seu posicionamento, mas tem que buscar informações. Imparcialidade não é não tomar posição, mas buscar o máximo de posições possíveis de todos os lados", afirmou o professor. A posição de Angela Pimenta é parecida. "Pra eu saber se quero 'fora Temer' ou 'dentro Temer', tenho que saber se aquilo que ele acusado é verdadeiro ou falso", explicou.

Independentemente das posições políticas ou da crise pela qual o País passa, a responsabilidade jornalística é algo essencial e uma das únicas alternativas para parar a disseminação de notícias falsas. "A partir do momento que o jornalismo se mostra sério, que oferece um material de qualidade, aquilo se destaca", disse Rafael. "Se a gente não fizer um trabalho de qualidade, a gente não vai se destacar daquilo que é ruim."

Para Angela Pimenta, o combate às "fake news" ainda será longo. "O problema da notícia falsa não nasceu ontem, ele é milenar", lembrou. "Não adianta censurar, a gente tem que apelar para a razão do leitor para mostrar que aquela notícia é falsa", disse a jornalista.

A crise no jornalismo é uma realidade no Brasil e no mundo, principalmente nos Estados Unidos, mas a profissão não está em um poço sem fundo. "O jornalismo tem que se posicionar cada vez mais como uma fonte de credibilidade, alguém que passa uma informação com crédito", explicou o professor do Mackenzie Rafael Fonseca Santos. "O esforço está só começando e a caminhada ainda é longa", concluiu Angela Pimenta.


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