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"Temos de vencer Lula nas urnas", diz João Doria

O prefeito de São Paulo critica a corrupção do PT, evita falar da praticada pelo PMDB e adota um discurso único dentro do PSDB

MARCOS CORONATO

24/06/2017 - 20h47 - Atualizado 24/06/2017 20h56

O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., do PSDB, fez neste sábado uma análise política que outros tucanos, se pensam, têm medo de externar. "É melhor que Lula dispute (a eleição presidencial de 2018) e perca. Temos de vencer Lula nas urnas", afirmou. Dória detalhou sua expectativa, deixando claro que se tratava apenas de seu desejo pessoal. "Se o Lula for impedido de disputar... o Brasil não precisa de mártires, especialmente um mártir com cinco indiciamentos na Justiça. Depois ele pode pagar. Se Lula for derrotado, volta a ser Luiz Inácio. Acaba o mito".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado pela Justiça como resultado das investigações da Operação Lava Jato. Como não há nenhuma condenação contra ele, Lula é, até o momento, livre para disputar a eleição do ano que vem e já confirmou essa intenção. Tem cerca de 30% de intenções de voto no primeiro turno, cerca de 43% no segundo e lidera em todos os cenários, segundo uma pesquisa do DataFolha concluída no fim de abril. Nos cenários possíveis para o segundo turno, Doria aproxima-se mais de Lula que seus colegas de partido Aécio Neves, senador por Minas Gerais, e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.

Ao longo de sua palestra, no evento Expert 2017, da XP Investimentos, Doria fez questão de se posicionar como antipetista, com agressividade incomum entre políticos eleitos para cargos executivos. Classificou Lula de "o maior cara de pau do Brasil" e chamou a ex-presidente Dilma Rousseff de "anta" duas vezes. Disse ver como ameaça que "essa gente" queira voltar a governar o país e enviou um recado: "Vou ajudar da forma que eu puder para impedir que isso aconteça". Doria não é o primeiro na fila de candidatos do PSDB à Presidência da República. Essa posição é de Alckmin, a quem o prefeito se referiu várias vezes ao longo de sua palestra, para indicar alinhamento e fidelidade. Alguns dos presentes o saudaram com gritos de "presidente" -- a plateia de centenas de pessoas, composta principalmente por pequenos investidores, empresários e funcionários do mercado financeiro, o aclamou. Ele sorriu e agradeceu. Num momento de sua fala, ao exortar os presentes a não perder o otimismo com o Brasil nem a cabeça fria, usou uma metáfora aberta a interpretações: "Os maiores guerreiros da história, mesmo com exército superior, nunca se precipitaram, nunca avançaram a linha antes da hora".

Ao longo da palestra, Doria fez referências à corrupção nos governos petistas, mas poupou a gestão do presidente Michel Temer. Questionado sobre o apoio de seu partido a um governo crivado de acusações de corrupção, Doria mostrou mais preocupação com a estabilidade. Afirmou que ele e o governador conversam todos os dias sobre esse apoio. "Sem o PSDB, a governabilidade do governo Temer deixa de existir", disse, acrescentando que consideraria "um desastre" antecipar a eleição. Elogiou a equipe econômica e afirmou que a economia vem melhorando. Alertou que mudanças nesse quadro poderiam levar a uma piora no mercado de trabalho e explicou o que consideraria uma instabilidade ainda pior que a atual: "Quem garante que os desempregados não passem de 13 milhões para 15 milhões? E os subempregados de 7 milhões para 10 milhões? Quem garante a governabilidade de um país com 25 milhões de pessoas com fome?"




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