11 de abril de 2017

Marcelo Odebrecht diz a Moro que determinou pagamento de R$ 13 milhões para Lula

Declaração foi dada ao juiz em um depoimento na sede da Justiça, em Curitiba, nesta segunda-feira (10).


Por Malu Mazza, G1 PR e RPC, Curitiba

11/04/2017 12h22 Atualizado há 3 horas


O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, disse ao juiz Sérgio Moro, nesta segunda-feira (10), que determinou um pagamento de R$ 13 milhões, que seria entregue ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ordem de pagamento, segundo Marcelo, foi feita a Branislav Kontic, que é ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci, entre 2012 e 2013.



Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo Odebrecht está preso desde junho de 2015 (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)


Este foi o primeiro depoimento de Odebrecht na Operação Lava Jato depois da assinatura do acordo de delação premiada. Ele também confirmou ao juiz que o codinome “amigo” das planilhas da propina da empreiteira se referia-se ao ex-presidente Luiz Inácio.


Marcelo Odebrecht é réu no processo que investiga se o ex-ministro Antônio Palocci recebeu propina para favorecer a empreiteira. Ele também disse no depoimento que “italiano” era Palocci e “pós-itália”, o ex-ministro Guido Mantega. O conteúdo dos interrogatórios, assim como as delações, está sob sigilo.


O réu também citou uma doação ao Instituto Lula, em 2014, e a compra de um terreno que seria usado como sede do instituto. A obra acabou não realizada.


O ex-presidente do Grupo Odebrecht afirmou também que Palocci intermediava pagamentos e assuntos de interesse da empresa com o PT.


Vazamentos

Antes do término do depoimento, o juiz Sérgio Moro foi informado que o conteúdo do que Odebrecht havia dito foi divulgado por agências de notícias. Voluntariamente, advogados e outras pessoas que estavam na audiência se dispuseram a mostrar os celulares.


Moro lamentou o vazamento, mas disse que cabia à defesa dos citados decidirem, em até três dias, se tomariam alguma providência.


O que diz o Instituto Lula

O Instituto Lula afirmou que funciona no mesmo local desde 1991 e que não recebeu nenhum terreno da Odebrecht. Disse ainda que todas as doações ao Instituto foram feitas com os devidos registros e nota fiscal, dentro da lei e informadas à Operação Lava Jato.


O Instituto declarou ainda que o ex-presidente Lula não tem conhecimento ou relação com qualquer planilha na qual pessoas possam se referir a ele como “amigo”.


O advogado de Antônio Palocci e Guido Mantega não quis comentar a audiência, mas que o vazamento é criminoso. O PT não quis se pronunciar.

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