24 de abril de 2017

Faixa Preta orgulha ‘pupilos’ no World Professional Jiu-Jítsu, em Abu Dhabi, ao conquistar a prata da competição

O valor do mestre dentro e fora do tatame é incontestável para um lutador. Imagina só, então, quando o destino coloca 'alinhados' professor e pupilos numa mesma competição. Pois foi isso que aconteceu com o faixa preta André Júlio, a faixa azul Luciana Castelo Branco e o faixa marrom Diego Cavalcante, que encerraram participação no World Professional Jiu-Jítsu, na tarde deste sábado, 22, em Abu Dhabi. Os pupilos do mestre André Júlio não chegaram ao pódio, mas puderam testemunhar aquele que é referência no esporte faturar a medalha de prata num dos maiores eventos de arte suave do mundo. O grupo, que faz parte da seleção brasileira, recebeu apoio do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), e Ministério do Esporte.
"Ele é uma referência para nós, um exemplo não só de mestre como também de atleta, de pai, de marido. E poder partilhar com ele essa experiência no World Pro é sensacional, uma experiência que ficará guardada. Até porque, ver o meu mestre competindo e tendo resultados, é um incentivo a mais para continuar, uma espécie de espelho", destacou Diego, que fez quatro lutas pelo World Pro, mas ficou na classificatória após perder por finalização para um atleta árabe.
Diante do elogio, o mestre André Júlio afirma que em quase 20 anos de carreira a competição em Abu Dhabi será guardada com uma das mais importantes, uma vez que sua participação foi inédita e ao lado de dois alunos em que ele acredita que devem ganhar o mundo e ainda proporcionar muito orgulho ao Amazonas nos próximos anos.
"O World Pro é uma das competições mais difíceis que existe. Essa é a minha estreia, depois de alguns anos de carreia, e poder vivenciar isso com eles me dá a certeza que sempre fiz as escolhas certas. E confesso que fiquei surpreso com o evento, pois ele é muito melhor e muito mais impressionante do que eu achava, tanto no aspecto de estrutura, como de técnica. Aqui só tem casca grossa e o esporte é extremamente valorizado. Além de competir, podemos também todos aprender juntos, porque em cada luta a gente consegue ver uma técnica diferente, um golpe bem aplicado e assim vamos aprendendo, é um verdadeiro intercâmbio", destacou.
Diante de Luciana, Diego, e tantos outros na plateia, André Júlio fez quatro lutas classificatórias, além de uma semifinal e final pela Master, 85Kg. Na decisão, onde enfrentou o representante da Suécia, Alan do Nascimento, o amazonense mostrou um Jiu-Jítsu afinado e até o último minuto de combate ele conseguiu segurar, até que o adversário abriu dois pontos e ele uma vantagem no finalzinho. A segunda colocação no pódio, porém, foi encarada como a mais 'alta' e o que não faltou foram os aplausos dos alunos.
"Eu queria muito ter conquistado ouro, mas a prata para mim foi muita válida, pois realizei muitas lutas e todas com excelentes competidores. Além disso, fico não somente realizado com a medalha, mas também em ver aqui o crescimento dos meus alunos. Eles se dedicam bastante e a Luciana, por exemplo, tenho certeza que ela voltará no ano que vem e será a campeã mundial. O Diego tem tudo para galgar este sonho, é um cara com muitos afazeres profissionais, mas que tem técnica para colocar em prática. Eles não chegaram ao pódio, mas o desempenho deles vale destaque, merece ser valorizado, pois são dois brasileiros, amazonenses, que representaram ", disse o Mestre.
Para Luciana Castelo Branco, 26, que fez cinco lutas, vencendo três e perdendo duas, receber o apoio do mestre numa competição como o World Pro é um presente. Ainda segundo ela, que para a competição treinava cinco horas por dia, o foco será adquirir ainda mais experiência, sempre com a orientação de André.
"Quem de atleta que não quer que o mestre faça companhia numa competição, ainda mais numa dessa, em que olhos do mundo todo se voltam. O André Júlio aqui me deu mais tranquilidade, fiquei mais segura e conseguia durante todas as lutas ouvir o que eu deveria fazer. Assim, eu me tornei com certeza mais forte. E apesar de não ter vencido, acredito que cheguei longe, e meu Mestre vai me ajudar a chegar muito mais. Adoro este esporte e tenho orgulho em dizer que meu mestre medalhou num campeonato em que muitos gostariam de estar", disse a atleta e também empresária, sem economizar na gratidão e confiança.
FOTOS: MAURO NETO/SEJEL

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