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O reacionarismo das esquerdas e a minha pauta: “Fora, Dilma! Fora, Cunha! Fora, Renan!”

Reinaldo Azevedo

Os vermelhos do nariz marrom foram às ruas em quase todos os Estados — às vezes, apenas às dezenas — em defesa do governo Dilma, em favor da saída de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara e contra o ajuste fiscal. Ainda não há um levantamento das manifestações em todo o país. Segundo o Datafolha, em São Paulo, o ato reuniu 55 mil pessoas. No domingo, o instituto afirmou que 40.300 pediram o impeachment. Já disse que não bato boca com critérios que têm um quê de etéreos. Vi as duas manifestações do 24º andar de um prédio na Paulista. A de domingo foi maior. O Datafolha diz que foi menor. A diferença não me interessa.


E não me interessa porque a manifestação desta quarta não foi da população, mas de movimentos organizados com dinheiro público. CUT, MST, MTST, UNE e outras entidades vivem de dinheiro da população. Ou seja: recursos que pertencem ao conjunto da sociedade foram mobilizados em favor de um governo e de um partido. Trata-se de algo essencialmente imoral, além de obviamente ilegal se as coisas forem levadas na ponta do lápis.

Guilherme Boulos, o Catilina de São Paulo, saudou o fato de que, segundo ele, o protesto das esquerdas oficialistas juntou mais gente do que o “dos coxinhas”. É uma puerilidade à baixura de suas formulações intelectuais. O evento desta quarta foi o “Big One” dos reacionários governistas. Em março, a gente conversa. De resto, com um pouco de honestidade intelectual, este rapaz compararia o evento desta quarta com os três grandes eventos já havidos em favor do impeachment. Mas convenham: ou se é intelectualmente honesto ou se é de esquerda, certo?

Rodrigo Janot, derrotado por Edson Fachin — afinal, o procurador-geral queria, na prática, anular a eleição da comissão especial da Câmara —, nem esperou o relator terminar de ler o seu voto e anunciou que estava pedindo o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, afinando, então, a sua voz com a das esquerdas que estavam nas ruas.

Aí alguém dirá: “Mas você não acha, Reinaldo, que Cunha deveria se afastar da Presidência da Câmara?” Eu acho. Como acho que Renan Calheiros deveria se afastar da Presidência do Senado, e Dilma Rousseff, da Presidência da República.

O que considero inaceitável é ver a mobilização de grupos que lidam com dinheiro público — e lidam! — em defesa de um governo que cometeu uma série de crimes, numa agenda casada com agentes de Estado que deveriam ter na independência o centro de sua atuação.

Eu, sem dúvida, folgo muito ao contatar a velocidade com que avançou o Ministério Público Federal na investigação contra Cunha. É mesmo um prodígio. Só é uma pena que, até agora, contra Lula, não haja nem sequer um inquérito. No caso de Dilma, o próprio Janot já se manifestou afirmando que ela NÃO pode ser responsabilizada pelas pedaladas, como se a) as de 2014 não tivessem óbvios efeitos em 2015; b) não tivesse havido irregularidades também em 2015.

Para arremate, no dia em que os partidários de Dilma vão às ruas pedir a cabeça de Cunha, Janot vem a público para… oferecer a cabeça de Cunha.

Posso até ver, e vejo, motivos para isso. Só não gosto de furor investigativo seletivo.

Meu lema é claro:
Fora, Dilma!
Fora, Cunha!
Fora, Renan!

Acho uma boa pauta.

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