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Amazonas abre negociações para expansão das relações comerciais com países da Liga Árabe

A produção de alimentos e a indústria incentivada da Zona Franca de Manaus são os principais pontos da proposta de expansão das parcerias comerciais entre o Amazonas e os países árabes. 

O governador do Estado, José Melo, abriu as negociações para o fortalecimento do intercâmbio econômico durante reunião nesta quarta-feira, 8 de março, com o Conselho de Embaixadores e a Câmara de Comércio Árabe do Brasil, que representam os 22 países da Liga Árabe.

Os diplomatas iniciaram pelo Amazonas a agenda de viagens ao Brasil com a finalidade de prospectar novos investimentos e ampliar as parcerias comerciais bilaterais. Outros três Estados devem receber a comitiva, segundo a programação para este ano. Para a missão no Amazonas vieram 16 embaixadores e representantes de negócios internacionais dos países da Liga Árabe. Eles preparam o terreno para a vinda de empresários e investidores e buscam atrair o empresariado amazonense a investir em seus países. O governo amazonense vai formar delegações para esmiuçar os potenciais de trocas econômicas e visitar os países. O grupo será formado por técnicos de pastas de áreas de interesse das parcerias, como a produção rural, o turismo e o meio ambiente.

"Agora vamos fazer delegações que vão visitar os países e conversar com os investidores. Os embaixadores vêm abrir as portas para os investidores gerarem negócios, para que os interesses convirjam gerando emprego, renda e produção. Tenho confiança de que dessa reunião surgirão investimentos fortes na indústria de produção de proteína e criação de peixe, que é o nosso maior sonho", afirmou José Melo.

A piscicultura dominou as conversas com os embaixadores árabes. O tema da produção de alimentos é o grande interesse dos grupos, e também engloba a fruticultura. O governador destacou os avanços alcançados pelo Estado na área da piscicultura a partir do domínio das técnicas de criação em cativeiro de cinco espécies, entre elas o Matrinxã, o Tambaqui e o Pirarucu. Além de incentivar os produtores rurais com subsídios, o Governo do Amazonas vislumbra a industrialização do pescado para atender o consumo interno e abastecer o mercado brasileiro e internacional. "Estamos projetando fortes investimentos para alavancar o setor, e o grande diferencial é a perspectiva de industrialização", disse.

José Melo garantiu aos embaixadores a segurança dos investimentos no Estado e disse que a prorrogação da Zona Franca pelos próximos 50 anos permite que o empresariado possa abrir negócios com a perspectiva de retorno em longo prazo, o que reduz os riscos financeiros. "Essa é a terceira visita que fazem ao nosso Estado. Os embaixadores trazem uma luz com a perspectiva de investimentos na Zona Franca e em novos nichos, como a piscicultura. Não se trata de uma visita diplomática, mas da abertura de horizontes para que as atividades comerciais, de serviços e industriais sejam pavimentadas", disse o governador.

Embaixador da Palestina e decano do Conselho de Embaixadores, Ibrahim Alzeben, afirmou que as parcerias na piscicultura são viáveis e atendem ao interesse dos países árabes pela produção de alimentos.  De acordo com Alzeben, a Liga pretende montar um grupo no Estado para trabalhar com os empresários e o governo nas propostas consideradas mais viáveis.

As relações comerciais do Amazonas com os países árabes são pequenas. Ano passado, o Estado exportou algo em torno de US$ 3,2 milhões e importou US$ 17 milhões, segundo dados do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Entre os itens, estão produtos como motocicletas, lâminas de barbear e aparelhos celulares. A maioria dos países não possui relações comerciais com o Estado. É o caso do Sudão, Mauritânia, Omã, Palestina, Argélia, Iraque, Líbia e Bahrein.

Segundo o Embaixador, a ainda tímida relação econômica com o Estado tinha a ver com o pouco conhecimento das potencialidades do Amazonas. "Acreditamos que esse Estado tem potencialidades que ainda não estavam descobertas. É um tesouro da humanidade, e por isso estamos aqui pela segunda vez. Essas indicações do governador abrem horizontes, e acho que temos mais que petroquímicos a oferecer e bem mais que peças de câmbio, que este Estado nos oferece", ressaltou.

Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe, Marcelo Nahib, o Amazonas possui condições atrativas para os empresários árabes que buscam diversificar seus negócios. "A relação com o Amazonas ainda é incipiente, levando em conta o potencial do Estado, o nível de desenvolvimento e os empreendedores locais. A câmara de comércio há mais de 50 anos vem fazendo esse trabalho de aproximação com o Brasil e aprendemos que para o comércio seja crescente precisa acontecer nos dois sentidos", disse.

Além de diversificar os investimentos no Brasil, eles também esperam atrair empresas brasileiras para desenvolver atividades em países árabes. O caderno de oportunidades será apresentado aos empresários amazonenses na tarde desta quarta-feira, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). No final da manhã, os embaixadores se reuniram, ainda, com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

Os embaixadores permanecem no Amazonas até a quinta-feira. Nesse período, eles conhecem regiões turísticas como o Encontro das Águas e assistem a espetáculos culturais no Teatro Amazonas.









FOTOS - HERICK PEREIRA / SECOM



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